domingo, 10 de abril de 2011

O 11 de setembro e o estereotipo árabe


Era terça-feira, 11 de setembro de 2001. O dia havia começado normal e prometia ser rotineiro como todos os outros. Dona Maria lembra que estava no mercado comprando mantimentos para o almoço da família quando olhou para a televisão e ficou aterrorizada: “Lembro-me que eu tava numa banca de verdura, quando eu olhei pra televisão e vi a noticia. Fiquei muito assustada com aquilo tudo que era um horror. Chegando em casa eu liguei a televisão pra saber o que realmente havia acontecido. Ao passo que eu fiquei assistindo o noticiário fui entendendo o que tava acontecendo. Senti muita tristeza. A partir daí fui acompanhando a história . Fiquei muito triste ao ver vidas sendo ceifadas, filhos perdendo seus pais, pais perdendo seus filhos. Aquilo foi um choque pra mim”. 

Relatos como esses são comuns quando conversamos com alguém sobre os acontecimentos daquele dia que entrou para a história da humanidade. Aquele foi o primeiro atentado terrorista transmitido ao vivo para todo o planeta. Pareciam cenas de um filme de ação. Por volta das 8 horas o primeiro avião sequestrado chocou-se com uma das torres gêmeas. Pouco tempo depois outro avião se chocou com a torre gêmea vizinha. Essas torres ficavam no centro de New York e eram um dos símbolos de poder da potência norte-americana. Durante os atentados milhares de pessoas morreram. Algumas foram carbonizadas ou morreram sufocadas pela fumaça das chamas. As que estavam nos aviões seqüestrados morreram na colisão. Outras vítimas que estavam trabalhando no local no momento do impacto, por não terem saída, suicidaram-se, jogando-se do alto do prédio. O total de mortos foi de 2.996 pessoas, incluindo os 19 terroristas sequestradores.

              Logo descobriram a quem pertencia a autoria do atentado aos EUA – Osama Bin Laden, líder da rede terrorista islâmica Al-Qaeda. A mídia então começou noticiar constantes ataques terroristas associados a grupos árabes. Notícias como explosões de homens que por baixo de sua vestimenta, caracteristicamente islâmica, carrega bombas prontas para serem acionadas, provocando seu próprio suicídio e levando consigo quem estiver por perto, tornaram-se freqüentes nos jornais. Criou-se assim um estereotipo árabe. Quando vemos um islâmico andando nas ruas, ou até mesmo entrando num avião, logo surgem comentários preconceituosos, sempre relacionando a etnia como responsável pelo atentado ocorrido há quase dez anos. Por que a mídia somente noticiou o atentado e não procurou investigar os motivos por trás deles? Será mesmo que os EUA foram somente as vítimas da história? por que a mídia não divulga a opressão que os EUA exerce sobre aquele povo? 

                   Perguntas como essas passam por nossas cabeças quando refletimos sobre os acontecimentos daquele dia. Não devemos esquecer dos constantes ataques que os EUA também empregaram contra os árabes. A guerra do golfo pérsico, ocorrida em 1991 foi um exemplo disso. A potencia norte-americana invadiu o território árabe pretendendo tomar seus poços de petróleo. Há quem diga que a guerra do Iraque em 2003 foi a continuação do conflito do golfo. Mais uma vez a mídia contribuiu para estereotipar o povo daquela região, transmitindo a idéia de que seu governante era um ditador sanguinário e que deveria ser exterminado. Será mesmo que o real ditador naquele episódio era Sadan Russen? E mesmo que ele fosse um ditador, o que os EUA tinha haver com isso? O resultado dessa história foi a morte de Sadan Russen  e a ocupação das tropas americanas  em território iraquiano exercendo sua hegemonia sobre eles até hoje. Quantas pessoas inocentes perderam suas vidas durante esses dois grandes conflitos? Milhares

Baseando-se nisso, o povo brasileiro começou formar uma imagem preconceituosa e generalizada  com respeito aos árabes e que se enraizou na nossa cultura desde os acontecimentos do dia 11 de setembro. Ao perguntar para dona Maria o que ela sentiria ao avistar um árabe dentro de um avião ela diz: “Eu sentiria medo por causa da fama que eles tem. Ficaria desconfiada. Eles não são de confiança por causa dos acontecimentos que a gente ouvi falar”.       







2 comentários:

  1. Parabéns! Este é o quinto blog que estou lendo sobre o 11 de setembro e ate agora você foi a melhor materia que encontrei. O fato de postar esse comentario é um prova disso, não iria ter o trabalho de elogiar algo que não fosse bom.
    Depois entra no meu é diz o que achou do meu texto: raylsonlima.blogspot.com

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